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02 de Dezembro de 2020

Alta nos custos da alimentação deve comprometer as margens de lucro do pecuarista em 2021, aponta CNA

As margens de lucros devem ser mais apertadas para a pecuária no ano de 2021 em função da alta nos custos com alimentação, conforme foi divulgado pela a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Já para os preços da arroba, a tendência é que os valores devem continuar em patamares próximos a média dos últimos meses de 2020 diante da baixa disponibilidade de animais para o abate.

O aumento nos custos da alimentação está sendo impactado pela a alta demanda interna e externa de milho e farelo de soja, principais insumos que compõem a ração animal, associada a possíveis impactos na produção de grãos como consequência do fenômeno climático La Niña, encarecerá os custos com alimentação.

Os custos da ração vão comprometer a renda do produtor que opta pela utilização de estratégias intensivas na fase de terminação, como o confinamento. “Nesse caso, os custos com a reposição de boi magro ainda estarão altos e a tendência de aumento nos custos com a ração também causarão redução das margens da atividade”, informou a Confederação.

Com relação à oferta de animais, a retenção de fêmeas deve se estender até o final do próximo ano e isso continuará comprometendo na falta de animais prontos para abate, como foi observado em 2020. Somando a isso, a expectativa de demanda está pouco superior à oferta, mantendo a pressão positiva nos preços.

O destaque na demanda em 2021 será para a carne bovina, cuja perspectiva é de aumento de até 700 gramas per capita no ano em relação à média de 2020, segundo análise da CNA frente aos dados disponibilizados pelo IBGE, USDA, Banco Central e Banco Mundial.

“Se houver recuperação da economia brasileira e relaxamento das medidas de distanciamento social, com retorno à normalidade das atividades de bares e restaurantes, o aumento na renda do consumidor brasileiro viabilizará o retorno do consumo de proteínas de carnes e lácteos”, destacou a CNA.

A expectativa é que a recuperação da economia mundial em 2021 afetará as exportações de carnes, uma vez que manterá a demanda por produtos de origem animal elevada, sustentando os preços e o protagonismo do Brasil no mercado internacional dessa proteína.

No entanto, a preocupação inicial do setor de carnes é a recuperação da quantidade de matrizes suínas na China, que vem ocorrendo em ritmo acima do esperado desde a crise da Peste Suína Africana em 2018. As projeções do banco holandês, Rabobank, apontam que a recuperação total do rebanho chinês deverá ocorrer apenas em meados de 2024/2025.

“A produtividade das matrizes que estão sendo utilizadas está inferior ao esperado e, ainda, há o período de cerca de 10 meses para que os animais nasçam e atinjam idade de abate. Para a carne bovina brasileira, a expectativa é de ampliação de até 5% no volume exportado em relação ao projetado de 2020”, ressaltou a Confederação.

Pecuária Leiteira

O cenário é incerto para a bovinocultura leiteira em 2021, já que a cadeia é altamente dependente do mercado doméstico e uma possível segunda onda de contaminação da Covid-19 pode influenciar diretamente o consumo e a demanda de produtos lácteos no próximo ano.

As projeções da CNA apontam que o aumento nos custos de produção tende a manter as margens da atividade comprimidas, em especial no primeiro semestre do próximo ano, antes da entrada da safrinha de milho e da entressafra de leite.

A estiagem que está prevista nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país  em função do fenômeno La Niña pode trazer impactos sobre a oferta de leite.  “A menor disponibilidade ou qualidade do volume de chuvas deve prejudicar a produção de pastagens e afetar as três regiões representam 79,6% da produção nacional de leite”, disse a CNA.

Nesse contexto, a tendência inicial é que a disputa entre os laticínios fique mais acirrada, forçando a sustentação dos preços do produto em patamares mais elevados. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a produção brasileira de leite crescerá apenas 1,3% em 2021. “O valor conservador se justifica em função da alta nos custos da alimentação do rebanho e da grande possibilidade de abate de matrizes em função do preço da arroba”, informou.

Fonte: Andressa Simão - Notícias Agrícolas



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