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21 de Janeiro de 2020

Soja:Nesta safra, produtor brasileiro está no lucro, enquanto americano depende de subsídios

A fase um do acordo comercial entre a China e
os Estados Unidos foi firmada e oficializada na última semana, porém, sem
trazer muitos detalhes para o comércio da soja entre os dois países. E enquanto
ações efetivas não aparecem, a competitividade da soja brasileira segue mantida
e ainda trazendo importantes margens de lucro ao produtor nacional. 

A soja do Brasil hoje conta com uma vantagem
competitiva sobre a americana ao custar cerca de US$ 10,00 a US$ 15,00 por
tonelada mais barata. Ainda assim, a escala maior das vendas brasileiras acaba
compensando esse valor mais baixo, como explica o consultor de mercado Vlamir
Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

"Tudo no Brasil é maior agora, a escala
é maior. A safra é maior, as exportações são maiores. Além disso, nossa soja é
mais competitiva também porque temos maior disponibilidade de navios aqui e
frete mais barato para a China, e nossa soja tem maior teor de proteína, o que
faz com que seja necessário menos soja brasileira, por exemplo, para a produção
de ração", explica. 

Hoje, a oleaginosa do Brasil sai para a
exportação, ainda como reforça Brandalizze, com um teor de proteína de 46% a
48%, contra 42% da americana. E assim, o lineup brasileiro está cheio e com
muita soja a ser embarcada nos próximos meses diante dessa competitividade
maior. 

Além disso, 2020 começou com o Brasil com
seus estoques praticamente zerados e os embarques ainda fortes. Segundo os
últimos números da Secretaria de Comércio Exterior, os primeiros sete dias
contabilizaram as vendas externas de 434,7 mil toneladas, com média diária de
62,1 mil. Ou seja, o Brasil "segue embarcando mais de um navio
diariamente, o que indica que estes embarques em bom ritmo devem se manter e
crescer nas próximas semanas com a chegada da safra nova. As primeiras
indicações deste ano nos apontam que devemos bater a marca de 75 a 80 milhões
de toneladas exportadas em 2020", acredita Brandalizze. 















Mais do que isso, o consultor explica também que "esta diferença que se vê
agora entre a soja do Brasil e dos Estados Unidos nada mais do que é um valor
de proteção. Os compradores estão mais retraídos agora esperando por saber o
que acontecerá no comércio de soja entre a China e os EUA. O preço aqui no
Brasil poderia estar melhor do que está hoje, mas não está por
isso". 

Ainda assim, a demanda segue presente e
focada no mercado brasileiro. E também como diz Brandalizze, a soja tem dado de
5% a 25% de margem de lucro ao produtor, a depender de sua região. Nos estados
do Centro-Oeste, por exemplo, as margens são de 5% ou algo pouco a mais do que
isso, já nos estados do Sul, os níveis são mais altos onde há um favorecimento
logístico e um volume menor de produto. 

Enquanto isso, nos EUA, o que impede que o
produtor esteja amargando prejuízos mais severo são os subsídios pagos pelo
governo Donald Trump diante da perda de demanda da nação asiática em razão da
guerra comercial. 

O diretor da ARC Mercosul, Matheus Pereira,
complementa a análise ainda com a chegada da nova oferta brasileira ao mercado
na medida em que os trabalhos de campo ganham mais ritmo nas principais regiões
produtoras. 

"A soja brasileira continua sendo uma
das mais baratas do mundo para embarque, isso levando em consideração que ainda
passamos por um período sazonal de escassez dos grãos. Estamos na entressafra,
a colheita deve ganhar mais ritmo nessas próximas duas ou três semanas e aí sim
teremos soja disponível. E é quando esses contratos para embarque estão
delimitando preços mais atrativos do que a soja disponível e abundante que lá
no Golfo dos EUA, e isso se dá pela desvalorização cambial", diz.  

Desde o início do ano até esta segunda-feira
(20), a moeda americana já acumula uma alta de 2,51% e valia, nesta primeira
sessão da semana, R$ 4,1860. "Hoje o real é fraco frente ao dólar
americano o que dá muito poder de barganha ao importador que compra a soja em
dólares. E essa é uma das razões pela qual nos mantemos tão otimistas quanto ao
nosso mercado para exportação no Brasil", explica Pereira. 



Fonte: Notícias Agrícolas



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